domingo, 21 de abril de 2013

Uma proposta de educação em Bento XVI



Bento XVI (2008) aponta que, em meio à sociedade atual, há uma verdadeira emergência educativa. Com decadência moral da sociedade há também o surgimento de crises nos demais segmentos da mesma. Tal fato ocorre pela ausência de alguns valores humanos fundamentais, pois “(...) quando as bases são abaladas e faltam as certezas fundamentais, a necessidade daqueles valores volta a fazer-se sentir de modo urgente: assim, em concreto, aumenta hoje o pedido de uma educação que o seja verdadeiramente” (BENTO XVI, 2008, n.p). Para tal, primeiramente faz-se necessário assumir os riscos e desafios da educação. É preciso comprometer-se, mesmo em meio às dificuldades atuais presentes na tarefa do educador.
Como base da educação está o afeto. A criança “(...) tem necessidade antes de tudo daquela proximidade e confiança que nascem do amor.” (BENTO XVI, 2008, n.p). Este se mostra no sentido de proporcionar, mais do que um acúmulo de informações, valores para a vida. Neste sentido, é importante ressaltar o valor do amor, mas que também se manifesta no sofrer, visando uma educação concreta, que proporcione ao indivíduo uma formação para lidar com o convívio em sociedade e também consigo, conhecendo-se.

Também o sofrimento faz parte da verdade da nossa vida. Por isso, procurando proteger os mais jovens de qualquer dificuldade e experiência do sofrimento, arriscamos de fazer crescer, apesar das nossas boas intenções, pessoas frágeis e pouco generosas: a capacidade de amar corresponde de facto à capacidade de sofrer, e de sofrer juntos. (BENTO XVI, 2008, n.p)

O grande centro da educação encontra-se no equilíbrio entre a liberdade e a autoridade. Uma não pode negar a outra, nem sobrepor-se. O educador deve pautar-se sobre estas duas colunas. Além disso, para uma educação eficaz, faz-se imprescindível o exemplo. Mais do que palavras, as atitudes e a postura influem sobre os educandos.
Como conclusão dos valores apresentados há o anseio por uma educação fundada sobre a responsabilidade.

A responsabilidade é em primeiro lugar pessoal, mas existe também uma responsabilidade que partilhamos juntos, como cidadãos de uma mesma cidade e de uma nação, como membros da família humana e, se somos crentes, como filhos de um único Deus e membros da Igreja. (BENTO XVI, 2008, n.p)

Para construção dessa proposta educativa, além da atuação prática, há a esperança. É preciso utilizar-se deste sentimento que se torna fôlego na caminhada. Existem momentos de desesperança, mas “na raiz da crise da educação está de facto uma crise de confiança na vida.” (Bento XVI, 2008, n.p). Para tal é preciso configurar os valores da educação com os da vida, fundando a esperança em valores transcendentes. “A esperança que se dirige a Deus nunca é esperança só para mim, é sempre também esperança para os outros: não nos isola, mas torna-nos solidários no bem, estimula-nos a educar-nos reciprocamente para a verdade e para o amor.” (BENTO XVI, 2008, n.p)


Referência
BENTO XVI. Carta do Papa Bento XVI à diocese de Roma sobre a tarefa urgente da formação das novas gerações. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/letters/2008/documents/hf_ben-xvi_let_20080121_educazione_po.html. Acesso em 22 de abr. de 2013.

Mateus V. Corusse
Melissa da Costa

Nenhum comentário:

Postar um comentário