Bento XVI (2008) aponta
que, em meio à sociedade atual, há uma verdadeira emergência educativa. Com
decadência moral da sociedade há também o surgimento de crises nos demais
segmentos da mesma. Tal fato ocorre pela ausência de alguns valores humanos
fundamentais, pois “(...) quando as bases são abaladas e faltam as
certezas fundamentais, a necessidade daqueles valores volta a fazer-se sentir
de modo urgente: assim, em concreto, aumenta hoje o pedido de uma educação que
o seja verdadeiramente” (BENTO XVI, 2008, n.p). Para tal,
primeiramente faz-se necessário assumir os riscos e desafios da educação. É preciso
comprometer-se, mesmo em meio às dificuldades atuais presentes na tarefa do
educador.
Como base da educação está o
afeto. A criança “(...) tem necessidade antes de tudo daquela proximidade e
confiança que nascem do amor.” (BENTO XVI, 2008, n.p). Este se mostra no
sentido de proporcionar, mais do que um acúmulo de informações, valores para a
vida. Neste sentido, é importante ressaltar o valor do amor, mas que também se
manifesta no sofrer, visando uma educação concreta, que proporcione ao
indivíduo uma formação para lidar com o convívio em sociedade e também consigo,
conhecendo-se.
Também o sofrimento faz parte da
verdade da nossa vida. Por isso, procurando proteger os mais jovens de qualquer
dificuldade e experiência do sofrimento, arriscamos de fazer crescer, apesar
das nossas boas intenções, pessoas frágeis e pouco generosas: a capacidade de
amar corresponde de facto à capacidade de sofrer, e de sofrer juntos. (BENTO
XVI, 2008, n.p)
O grande centro da educação
encontra-se no equilíbrio entre a liberdade e a autoridade. Uma não pode negar
a outra, nem sobrepor-se. O educador deve pautar-se sobre estas duas colunas.
Além disso, para uma educação eficaz, faz-se imprescindível o exemplo. Mais do
que palavras, as atitudes e a postura influem sobre os educandos.
Como conclusão dos valores
apresentados há o anseio por uma educação fundada sobre a responsabilidade.
A responsabilidade é em primeiro
lugar pessoal, mas existe também uma responsabilidade que partilhamos juntos,
como cidadãos de uma mesma cidade e de uma nação, como membros da família
humana e, se somos crentes, como filhos de um único Deus e membros da Igreja.
(BENTO XVI, 2008, n.p)
Para construção dessa proposta
educativa, além da atuação prática, há a esperança. É preciso utilizar-se deste
sentimento que se torna fôlego na caminhada. Existem momentos de desesperança,
mas “na raiz da crise da educação está de facto uma crise de confiança na vida.”
(Bento XVI, 2008, n.p). Para tal é preciso configurar os valores da educação
com os da vida, fundando a esperança em valores transcendentes. “A esperança
que se dirige a Deus nunca é esperança só para mim, é sempre também esperança
para os outros: não nos isola, mas torna-nos solidários no bem, estimula-nos a
educar-nos reciprocamente para a verdade e para o amor.” (BENTO XVI, 2008, n.p)
Referência
BENTO XVI. Carta do Papa Bento XVI à diocese de Roma
sobre a tarefa urgente da formação das novas gerações. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/letters/2008/documents/hf_ben-xvi_let_20080121_educazione_po.html. Acesso em 22 de abr. de 2013.
Mateus V. Corusse
Melissa da Costa
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